Mapa de Tavira e seu litoral (1951)


Carta Militar do instituto geográfico do Exército de 1951, dez anos após o ciclone de 1941. Situação do Litoral entre Fuzeta e Cabanas na altura. É visível a Barra do Cochicho que abriu em consequência do ciclone. Os quebra-mares da barra artificial aberta em 1930 – e que ainda estão visíveis no mapa – marcam a posição dessa barra entretanto assoreada. 

A “Mama Gorda” vista do mar

Tive oportunidade de ir navegar pela costa próxima do Sotavento, e ver “finalmente” o “Cerro da Mama Gorda”. Aqui deixo a foto para servir de testemunho da minha e obrigado ao amigo Armindo Conceição por me convidar a acompanhá-lo na sua embarcação de pesca. Para juntar o ouro ao azul, estive numa zona do mar chamada precisamente de “Mar da Mama Gorda”, conhecida pela sua abundância de peixe.

Fica então aqui uma foto com a “sra. Mama Gorda”, conhecida desde há séculos pelos mareantes que deambulam por esta conta desde fenícios, gregos, romanos, vândalos, mouros e finalmente, portugueses.

Cabanas coroada pela Mama Gorda
O Cerro da Mama Gorda é a elevação central da cordilheira da Serra de Tavira. Foto obtida a poucas milhas da costa. O casario é da vila de Cabanas de Tavira.

 

A “mama gorda”

Actualização: Tive oportunidade de ir navegar pela costa próxima do Sotavento, e ver “finalmente” o “Cerro da Mama Gorda”. Fica aqui o post referente com as fotos do dito “cerro”.

Quando se navega a poucas milhas da costa, esta apresenta relevos que podem ser usados pelos navegantes como pontos de referência. Aqui na Costa Algarvia do Sotavento, a colina sobranceira mais próxima do mar é sem dúvida o Cerro de São Miguel que, dos seus perto de 400 metros de altitude, é praticamente visível em terra e no mar, provavelmente conhecido desde tempos imemoriais quando imensos povos percorreram estes mares, e as suas embarcações nunca perdiam a costa de vista.
Muito provavelmente, a estes relevos notáveis eram atribuídos nomes e provavelmente dedicados a divindades relacionadas com o vento ou outras(e.g. Cabo de São Vicente, considerado Promontorium Sacrum pelos romanos). No caso do Cerro de São Miguel, também chamado de Monte Figo na antiguidade, baptizando a serra de constituição calcária do qual o Cerro é a sua elevação mais importante, um artigo da autoria do geógrafo Luís Fraga da Silva já discute a importância que essa elevação representaria para os navegadores na antiguidade clássica.
O tema que quero apresentar hoje é referente a uma expressão usada para indicar a “Serra de Tavira” partir do mar desde, pelo menos, o século XVII, quando “Mama Gorda” aparece em pelo menos dois livros, um da autoria do geógrafo português Luís Serrão Pimentel e mais tarde por seu filho Manuel Pimentel :

Entre estes cerca de 30 anos vemos e entre pai e filho que foram ambos cosmógrafos reais de Portugal há de assinalar mais pormenores em comum do que as diferenças: em primeiro lugar, Tavila passa a chamar-se Tavira . E, em segundo lugar, em 1712, Manuel Pimentel assinala a dificuldade da entrada no Porto de Tavira devido à existência de barras cuja localização se encontra constantemente em movimento (facto referido mais tarde por Sande de Vasconcelos nas notas das suas cartas de Tavira). Mas os nomes dos pontes de referência relativos aos relevos são os mesmo: Monte Figo, Monte Pequeno (Cerro da Cabeça, a leste do Cerro de São Miguel), e novamente a tal “…Mama Gorda, a qual serra vay correndo ate Crastomarim“, e neste ponto o texto do filho Manuel Serrão é “ipsis verbis” o do pai. Impõe-se então aqui um mistério a resolver, qual seria o monte conhecido pelos mareantes como “Mama Gorda”? Ora, se Monte Figo e Monte Pequeno não oferecem lugar a dúvidas, então a que monte corresponderá a tal “Mama Gorda” assinaladas por Serrão pai e filho !?

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