A Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Tavira

No Algarve o culto de Conceição chegou no século XVI tendo sido construídas duas igrejas em zona rural nos termos de Tavira e Faro, de tal forma que se converteram em topónimos dos sítios onde foram erigidas. Nomeadamente no caso  de Tavira, esta criação teve lugar em 1518, data da constituição da freguesia coincidente com a criação da dita paróquia.

Não se tem a certeza de que seja realmente de 1518, sendo deste ano o registo mais antigo da mais antiga visitação à referida igreja, então chamada de “ermida” referindo-se  a ela como “Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Gomeira”:

Uma Casa nova, grande e muito boa, que ora se faz, e não está ainda acabada. E a capela-mor dela forrada de olivel [madeira de oliveira], e as paredes são de pedra e cal. E tem um altar de alvenaria e sobre ele a imagem de Nossa Senhora, de vulto, boa  e nova, dentro de um retábulo pequeno, de portas, e dois Meninos Jesus. E o corpo da igreja é de uma só nave (…) e metade dele está já forrado de olivel  coberto de telha, e sobre a porta principal está um campanário em que está uma campa (sino) grande  e novo (…). Achámos por informação que isto tomámos, que a dita Ermida foi começada de edificar por Rui Calvino e Gil Gonçalves da Costa e João Rosado, os quais com suas esmolas se com as esmola s dos fregueses e moradores dos arredores da dita Igreja a fizeram como ora está, e André Dias Parrado, mordomo que ora é (da Ermida), também de princípio com os sobreditos a ajudou a fazer(…).  E o capelão  da Igreja (ou seja, o pároco) Rodrigues Anes, ajudou a fazer a dita casa”.

Estes nomes aparecem referidos nas atas de vereadores de Tavira, nomeadamente Rui Calvino, Gil Gonçalves da Costa e João Rosado foi procurador do concelho  de Tavira em 1500.

A versão original da igreja, teria, portanto, além do pórtico actual, mas dispunha apenas de uma nave, como ermida que era. Anica propõe que o início da construção se tenha dado por volta de 1508.

Visitações posteriores relatam novos acrescentos à versão da igreja relatada em 1508: em 1554 relatam que a mesma era abobadada e a capela mor media vinte  e dois palmos de altura e largura, sendo quadrada. Mais acrescentam que a porta principal abria para Sul, era de pedraria de ponto de quarto portados  e tinha dezassete palmos  de altos e nove palmos de largo. Relatavam também a existência de uma porta lateral (actualmente existem duas)l. Em 1565,  a Igreja continua a ser relatada como de apenas uma nave.

Não volta  a haver a notícias da Igreja até ao século XVII, se bem que Frei de São José relata que o tesouro da igreja era recolhido no inverno, por medo que os mouros o levassem. Apenas em 1753 volta a haver novas notícias da Igreja, por parte do Bispo do Algarve, Frei Lourenço de Santa Maria, de que estariam a ter lugar novas obras, que deram mais altura ao templo , com os dois arcos da fachada de volta redonda que interiormente resultam em três naves. A meio do século XX,  a dita igreja volta a receber obras para restauro do telhado, que mostrava sinais de degradação,  sendo de 1963 a última intervenção, na qual comparticipou o industrial Domingos  de Sousa Uva. A casa do pároco situada diante do pórtico da igreja supõe-se que sejam tão antigas como a própria igreja, para além das casas pequenas e térreas  que  a ladeiam e que terão sido construídas na altura, sendo uma delas a primeira sede da Junta de Freguesia, que ali funcionou até 1967, grosso modo, quando mudou para a actual sede situada na Rua 25 de Abril.

O motivo de maior interesse do ponto de vista arquitectónico da igreja é sem dúvida o seu pórtico original manuelino, que remonta à primeira edificação como ermida referido em 1518. O pórtico apresenta várias arquivoltas, com um friso à volta do arco superior com decorações com motivos vegetais semelhantes ao do pórtico manuelino da Igreja da Luz de Tavira. De notar, que as arquivoltas são atravessadas por um friso contendo figuras remanescentes do género gótico, com dragões e carrancas (pormenores na galeria de fotos abaixo).