As armas da cidade de Tavira

A Baixa Ribeirnha de Tavira (1880)

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O Rio e marginal ribeirinha de Tavira antes da construção dos actuais Jardim e Mercado. A foto deve ser o mais tardiamente possível de 1885.

Esta é a outra foto menos conhecida onde figura a Torre do Mar antes do seu desmantelamento em 1888. São bem visíveis a Principal, encostada junto à Torre, parte dos edifícios que “assomam” para a Praça da Ribeira e que ainda lá estão. São visíveis o palácio da Galeria e a Igreja de Santa Maria e o castelo dominando a paisagem, tal como há 100 anos. Esta foto é o único testemunho visual existente do antigo palacete dos Mendonça Corte Real, que, tal como o Palacete dos Marques Freire – o único ainda hoje existente na margem direita – que teria paredes meias com o rio. No palacete dos Corte Real se teria albergado o rei D. Sebastião durante a sua visita a Tavira.

Vê-se o que parece ser uma rampa de areia ou pequeno cais improvisado por onde os pescadores descarregariam. Nesta imagem e na anterior do “Prospecto de Tavira” de Sande de Vasconcelos é visível que as embarcações de pesca de menor calado subiam o rio para descarregar o peixe. Nesta foto não é visível a ponte, mas consegue-se ver que as margens do rio não estavam consolidadas como hoje em dia, sob uma estrutura de pedra empilhada e talhada. Em parte, a requalificação do baixa ribeirinha feita por José Pires Padinha, o autarca por detrás da requalificação, ao elevar as margens do rio com blocos de pedra talhada sobrepostas,  contemplaria uma parte de salvaguarda contra as enchentes das enxurradas invernais do rio e das marés vivas. Portanto naquele tempo, haveria uma verdadeira “praia fluvial” na margem direita do Gilão, local onde os barcos que subiam o Rio embarcavam e desembarcavam.

A nova baixa ribeirinha encetada por Padinha dotaria os tavirenses de uma maior segurança relativamente às subidas do nível de água do Gilão, e ao mesmo tempo ofereceu um espaço lúdico e de comércio (o novo “Mercado da Ribeira”) para a população junto do seu meio natural de subsistência e convivência – o Rio .

Por outro lado, mostrava que a cidade de Tavira tinha uma classe social em ascenção que finalmente tinha acesso aos proveitos  das explorações das armações de atum. Aquilo que antes era um exclusivo quase dos monarcas – os lucros das armações do atum – foram liberalizados com a criação com a Companhia de Pescarias do Algarve ainda no tempo do Marquês do Pombal. Mais tarde, outras companhias de pesca do atum, de iniciativa totalmente privada e exploradas por burgueses locais apareceram – como a Balsense. Um grupo de tavirenses burgueses  (fora a nobreza rural tradicionalista) saltou para o palco da liderança da autarquia e racionalizou a cidade, dotando-a de um equipamento que ainda hoje se conserva, com algumas alterações posteriores – mas no essencial a baixa ribeirinha tavirense oitocentista mantêm-se, com os seus gradeamentos de ferro nas margens altas do rio.

 

O Brasão do Algarve

Já alguma boa gente deve ter notado que quase todas os municípios algarvios usam uma arco maximilianocabeça de um rei mouro e uma cabeça de rei cristão no brasão de armas da cidade ou vila: as únicas excepções são Olhão (que já usou no passado), Faro e Lagos. A razão de apareceram esses rostos tem a ver com razões  culturais e históricas, mas também pelo facto do brasão do Reino do Algarve ter sido a principal força motriz por detrás da revisão dos escudos a partir de 1927. A história começou pelo município de Silves, que não se revia em usar um “escudo de prata” sem nada no seu interior (“armas lisas”, no dizer da Heráldica). Após consulta à Associação Portuguesa de Arqueólogos, o historiador Afonso de Ornelas submeteu a sua proposta para o novo desenho das armas da cidade de Silves, claramente inspirado no histórico brasão do Reino do Algarve. Este escudo, que não foi concebido em Portugal, por portugueses, foi provavelmente originalmente concebido pelo artista germânico Albrecht Durer em colaboração com outros para um trabalho comissionado pelo sacro imperador romano Maximiliano I chamado “Arco Triunfal” que consistia num imenso mosaico de xilogravuras ostentando “em todo o seu esplendor” o poder imperial do sacro imperador.

Querem saber, consultem o artigo sobre o brasão do reino do Algarve na Wikipedia, está lá tudo explicadinho !

 

As Armas de Tavira no “Thesouro da Nobreza”

O Thesouro da Nobreza da autoria do artista Francisco Coelho, Rei das Armas da Índia é uma obra notável. Ilustrado à mão, é uma verdadeira compilação de todos os brasões de reinos, províncias, cidades, condados, ducados, famílias, etc.

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Folio 10 do Thesouro da Nobreza de Francisco Coelho. Na segunda linha de escudos, o 3º a contar da esquerda é o escudo de Tavira. O 1º da esquerda são as armas do Reino dos Algarves, sendo neste contexto os “Algarves” todas as terras ocidentais entretanto descobertas após os descobrimentos.

Data de 1675 e possui entre outros, as armas do Reino do Algarve já muito próximo da sua versão moderna assim como as armas de Tavira, que se é verdade figuram no Foral de D. Manuel um século antes, não deixam de aparecer aqui em posição de destaque, sendo o terceiro brasão do fólio 10, a seguir às armas do Reyno do Algarves e de São Bruno (letra G).

A obra completa está disponível online no digitarq da Torre do Tombo.

As duas versões do ‘Prospecto de Tavira’ (1780 e 1797)

ACTUALIZAÇÃO: Obrigado ao Marco Sousa Santos por me apontar correctamente para qual seria a localização correcta da casa da Bateria do Registo.

São múltiplas as referências dadas a esse personagem do século XVIII que deixou um verdadeiro manancial de cartas militares, ilustrações e desenhos paisagísticos. Estou, claro, a referir-me a José Sande de Vasconcelos, eborense de nascimento, tavirense de adopção. Da cidade que escolheu para sua residência o engenheiro militar deixou uma série de plantas, como a Planta do Castelo de Tavira, a Planta do Interior de Tavira e finalmente O Mapa de Tavira e seus arredores, um verdadeiro tesouro cartográfico com as dimensões de 4,11 m de largura para 1,72 m de altura. Para as dimensões que foi executada, a Carta dos Arredores de Tavira para ser completamente desembrulhada, precisava de uma mesa daquelas que davam para 8 pessoas. O engenheiro esmerou-se realmente na concepção da carta, e além de cartografar indicações e pormenores preciosos a respeito de Tavira no século XVIII, com bastante texto no referido mapa, acrescentou em rodapé quatro ilustrações de campo suas, a que chama prospectos que são, da esquerda para a direita : Prospecto do Lugar da Conceição tirado do ponto a,  Prospecto da Cidade de Tavira tirado do ponto do Regto. b, Prospecto d’Horta do Bispo Q He D’D.Anta. [Antónia] Thereza de Aguiar tirado do ponto e e finalmente Prospecto d’Lugar d’N.Snra. D’Luz . Ao primeiro prospecto , o do lugar da Conceição já fiz referência aqui noutro artigo , o que me interessa agora é falar do Prospecto da Cidade de Tavira, pois conhecem-se duas versões desta ilustração, a primeira, que está inclusa no referido Mapa de Tavira e seus arredores que terá sido concebida em 1780 segundo o que diz a BND e conhece-se uma segunda versão, datada de 1797, e em excelente estado de conservação, da mesma ilustração, pertence ao arquivo da Sociedade de Geografia de Lisboa. Sande de Vasconcelos terá, usando a primeira versão com ponto de partida, acrescentou mais pormenores e ainda enumera o nome dos habitantes em cada uma das casas que se vêm a partir do rio desde o sul da cidade. Estes desenhos foram executados no local onda na altura se situava a Bateria do Registo, usada na defesa da cidade de Tavira a qualquer investida inimiga pelo rio e ao mesmo tempo local de aula prática de artilharia ministrada precisamente pelo brigadeiro-engenheiro.

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Casa da Bateria do Registo, na estrada para as Quatro Águas. Foto do Street View da Google

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Retratos de Tavira através dos séculos

La Place de La Republique à Tavira

C’est une video fait sur une presentation que j’ai fait pour un cours de français. Il parle sur la Place de la Republique et sa historie.

É um vídeo de uma apresentação que fiz para um curso de francês. Fala sobre a Praça da República e da sua história, debruçando-se sobre a sua história, para além de pontos de interesse turístico desta praça que constitui o centro da cidade.

 

“Fortificações do Algarve”, por Baltasar de Azevedo Coutinho, capitão do Real Corpo de Engenheiros (ca. 1800)

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Baltazar Azevedo Coutinho foi discípulo de José Sande de Vasconcelos, e na linha do mestre, também cartografou e inventariou os fortes e baterias da costa. Esta imagem consta da folha 21 da sua obra “Fortificações do Algarve“, representará a linha de Costa entre Cacela e actual Cabanas (os dois fortes!) por volta de 1800, pouco antes da Invasões Francesas, está disponível aqui no digitarq da Torre do Tombo

Tavira, no virar para o século XX

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O Castelo de Tavira, tal como aparece na página 183 da obra “As mouras encantadas e os encantamentos no Algarve” de Ataíde de Oliveira (impressa na Tipogrfia Burocrática, Tavira, 1898). Na página seguinte o seu autor faz referência à lenda da “moura do castelo”. No canto superior é bem visível o campanário da igreja matriz do castelo.