Sebastião Martins Mestre, o único conquistador do Forte de São João da Barra

O Dia 13 de Junho de 1808, para além de ser o dia de Santo António, marca o dia que a história registou como a única ocasião que o Forte de São João da Barra foi tomado. Não por uma força invasora proveniente do mar, mas por paisanos da própria freguesia da Conceição, liderados por um capitão português que estava afastado do activo por actividades comerciais em Gibraltar, onde se tinha casado e constituído família. O seu nome ? Sebastião Martins Mestre.

Regressado de Gibraltar com a esposa e a filha criança, pouco tempo após a chegada das forças da primeira invasão francesa de Junot ao Algarve em Novembro de 1807, quiçá para se por ao pleno da situação em que se encontravam as suas duas propriedades rurais na freguesia da Conceição, Martins Mestre não terá ficado agradado de ver franceses a tomarem conta da administração e a cobrar impostos sobre todas as actividades primárias, de tal forma que, com a ajuda de “paisanos” e armamento quiçá disponibilizado pela Marinha Real Britânica, tomou o Forte que vigiava a principal entrada marítima à então capital do Reino do Algarve.

Conhecemos estes factos pela carta em que mais tarde o Governador do Reino do Algarve D. Francisco de Meneses relata-os ao príncipe regente D. João, então exilado no Brasil.


Atesto que o Tenente-coronel Sebastião Martins Mestre, da cidade de Tavira, foi dos primeiros que, naquela cidade, levantou a voz da liberdade portuguesa no dia 13 de Junho, aclamando o Real Nome de Sua Alteza Real, e é tal a sua aderência à causa que defendemos, que havendo tropas inimigas naquele Reino [do Algarve], ele, superando todas as dificuldades e perigos a que se ia expor, entrou na Fortaleza de S. João do registro da Barra de Tavira; entusiasma os portugueses com a justa persuasão que o Nosso Augusto Soberano existia, e que não se iludissem das falsas promessas dos franceses, que em poucos momentos iam terminar. A esta acção assistiu sua mulher, D. Maria Felipes de Martins, e sua filha donzela D. Catarina Felipes de Martins, e uma grande parte do povo da freguesia da Conceição; elas se comportaram como duas heroínas, sabendo com singular destreza conter o referido povo, enquanto ele [Sebastião Martins Mestre] passou a bordo da Esquadra Inglesa que cruzava naqueles mares, a exigir socorros de armas (…)

Francisco de Melo da Cunha de Mendonça e Meneses, Conde de Castro Marim, Monteiro Mor do Reino, etc.
Quartel-General de Azeitão, 12 de Setembro de 1808.
[1]

Texto completo aqui

Já foi aqui referido a respeito de Sebastião Martins Mestre, avô do arqueólogo Estácio da Veiga, ter propriedades rurais na freguesia, mormente a herdade da Arrancada e uma casa rural situada actualmente dentro da malha urbana de Cabanas [2] . A respeito de Martins Mestre, sabemos pouco a respeito desta personalidade, mormente a sua origem familiar. Sabemos que se distinguiu como militar na resistência à ocupação francesa no Algarve e esteve entre os líderes do exército da reacção para libertar a capital portuguesa. Começou por ser comendador da Ordem de Santiago e mais tarde foi cavaleiro da Ordem de Cristo.

Mata-cães na muralha do forte, voltado a oeste

A ironia é que o próprio Martins Mestre, após os franceses serem expulsos de Portugal, acabar por se tornar ele governador do forte que ele próprio havia conquistado. Conhece-se um relato seu sobre rouba de pólvora do forte.(6).

Terá permanecido como governador até se reformar, em 1819, passando depois à vida política como vereador da Câmara de Tavira.

[1] da Iria, Alberto (Biblioteca Ajuda). 1941. A INVASÃO DE JUNOT NO ALGARVE. Lisboa. . link
[2] Anica, Arnaldo Casimiro. 2011. Monografia da freguesia de Cabanas de Tavira. Edited by de de Tavira, Junta Freguesia Cabanas. 1 ed. Cabanas de Tavira: Junta de Freguesia de Cabanas de Tavira. .

REFERÊNCIAS

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