Mapa de Tavira e seu litoral (1951)


Carta Militar do instituto geográfico do Exército de 1951, dez anos após o ciclone de 1941. Situação do Litoral entre Fuzeta e Cabanas na altura. É visível a Barra do Cochicho que abriu em consequência do ciclone. Os quebra-mares da barra artificial aberta em 1930 – e que ainda estão visíveis no mapa – marcam a posição dessa barra entretanto assoreada. 

A Baixa Ribeirnha de Tavira (1880)

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O Rio e marginal ribeirinha de Tavira antes da construção dos actuais Jardim e Mercado. A foto deve ser o mais tardiamente possível de 1885.

Esta é a outra foto menos conhecida onde figura a Torre do Mar antes do seu desmantelamento em 1888. São bem visíveis a Principal, encostada junto à Torre, parte dos edifícios que “assomam” para a Praça da Ribeira e que ainda lá estão. São visíveis o palácio da Galeria e a Igreja de Santa Maria e o castelo dominando a paisagem, tal como há 100 anos. Esta foto é o único testemunho visual existente do antigo palacete dos Mendonça Corte Real, que, tal como o Palacete dos Marques Freire – o único ainda hoje existente na margem direita – que teria paredes meias com o rio. No palacete dos Corte Real se teria albergado o rei D. Sebastião durante a sua visita a Tavira.

Vê-se o que parece ser uma rampa de areia ou pequeno cais improvisado por onde os pescadores descarregariam. Nesta imagem e na anterior do “Prospecto de Tavira” de Sande de Vasconcelos é visível que as embarcações de pesca de menor calado subiam o rio para descarregar o peixe. Nesta foto não é visível a ponte, mas consegue-se ver que as margens do rio não estavam consolidadas como hoje em dia, sob uma estrutura de pedra empilhada e talhada. Em parte, a requalificação do baixa ribeirinha feita por José Pires Padinha, o autarca por detrás da requalificação, ao elevar as margens do rio com blocos de pedra talhada sobrepostas,  contemplaria uma parte de salvaguarda contra as enchentes das enxurradas invernais do rio e das marés vivas. Portanto naquele tempo, haveria uma verdadeira “praia fluvial” na margem direita do Gilão, local onde os barcos que subiam o Rio embarcavam e desembarcavam.

A nova baixa ribeirinha encetada por Padinha dotaria os tavirenses de uma maior segurança relativamente às subidas do nível de água do Gilão, e ao mesmo tempo ofereceu um espaço lúdico e de comércio (o novo “Mercado da Ribeira”) para a população junto do seu meio natural de subsistência e convivência – o Rio .

Por outro lado, mostrava que a cidade de Tavira tinha uma classe social em ascenção que finalmente tinha acesso aos proveitos  das explorações das armações de atum. Aquilo que antes era um exclusivo quase dos monarcas – os lucros das armações do atum – foram liberalizados com a criação com a Companhia de Pescarias do Algarve ainda no tempo do Marquês do Pombal. Mais tarde, outras companhias de pesca do atum, de iniciativa totalmente privada e exploradas por burgueses locais apareceram – como a Balsense. Um grupo de tavirenses burgueses  (fora a nobreza rural tradicionalista) saltou para o palco da liderança da autarquia e racionalizou a cidade, dotando-a de um equipamento que ainda hoje se conserva, com algumas alterações posteriores – mas no essencial a baixa ribeirinha tavirense oitocentista mantêm-se, com os seus gradeamentos de ferro nas margens altas do rio.

 

As Armas de Tavira no “Thesouro da Nobreza”

O Thesouro da Nobreza da autoria do artista Francisco Coelho, Rei das Armas da Índia é uma obra notável. Ilustrado à mão, é uma verdadeira compilação de todos os brasões de reinos, províncias, cidades, condados, ducados, famílias, etc.

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Folio 10 do Thesouro da Nobreza de Francisco Coelho. Na segunda linha de escudos, o 3º a contar da esquerda é o escudo de Tavira. O 1º da esquerda são as armas do Reino dos Algarves, sendo neste contexto os “Algarves” todas as terras ocidentais entretanto descobertas após os descobrimentos.

Data de 1675 e possui entre outros, as armas do Reino do Algarve já muito próximo da sua versão moderna assim como as armas de Tavira, que se é verdade figuram no Foral de D. Manuel um século antes, não deixam de aparecer aqui em posição de destaque, sendo o terceiro brasão do fólio 10, a seguir às armas do Reyno do Algarves e de São Bruno (letra G).

A obra completa está disponível online no digitarq da Torre do Tombo.

Retratos de Tavira através dos séculos

“Fortificações do Algarve”, por Baltasar de Azevedo Coutinho, capitão do Real Corpo de Engenheiros (ca. 1800)

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Baltazar Azevedo Coutinho foi discípulo de José Sande de Vasconcelos, e na linha do mestre, também cartografou e inventariou os fortes e baterias da costa. Esta imagem consta da folha 21 da sua obra “Fortificações do Algarve“, representará a linha de Costa entre Cacela e actual Cabanas (os dois fortes!) por volta de 1800, pouco antes da Invasões Francesas, está disponível aqui no digitarq da Torre do Tombo

Tavira, no virar para o século XX

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O Castelo de Tavira, tal como aparece na página 183 da obra “As mouras encantadas e os encantamentos no Algarve” de Ataíde de Oliveira (impressa na Tipogrfia Burocrática, Tavira, 1898). Na página seguinte o seu autor faz referência à lenda da “moura do castelo”. No canto superior é bem visível o campanário da igreja matriz do castelo.

A “Mama Gorda” vista do mar

Tive oportunidade de ir navegar pela costa próxima do Sotavento, e ver “finalmente” o “Cerro da Mama Gorda”. Aqui deixo a foto para servir de testemunho da minha e obrigado ao amigo Armindo Conceição por me convidar a acompanhá-lo na sua embarcação de pesca. Para juntar o ouro ao azul, estive numa zona do mar chamada precisamente de “Mar da Mama Gorda”, conhecida pela sua abundância de peixe.

Fica então aqui uma foto com a “sra. Mama Gorda”, conhecida desde há séculos pelos mareantes que deambulam por esta conta desde fenícios, gregos, romanos, vândalos, mouros e finalmente, portugueses.

Cabanas coroada pela Mama Gorda
O Cerro da Mama Gorda é a elevação central da cordilheira da Serra de Tavira. Foto obtida a poucas milhas da costa. O casario é da vila de Cabanas de Tavira.